O equilíbrio em todos os âmbitos da vida humana permite um desenvolvimento perene e sólido. Os países e organizações avançam economicamente, mas devem atentar-se também para os aspectos ecológicos e sociais.
O termo desenvolvimento sustentável ganhou força no final do século XX quando foi pronunciado pela ONU (União das Nações Unidas) e representa a adoção de práticas que busquem o equilíbrio entre o meio ambiente, promoção social e viabilidade econômica. Esse tripé forma o conceito do “Triple Botton Line”, criado pelo inglês John Elkington, com o objetivo de nortear a analise do impacto gerado pelas organizações.
A sociedade é altamente impactada pela adoção de novas tecnologias em seu dia-a-dia, fato o qual potencializa a realização das mais diversas atividades. A aplicação dessas tecnologias no ambiente público e na interação do cidadão com a cidade a qual vive implica em um conceito atual conhecido como “Cidade Inteligentes” (ou Smart Cities em inglês), que representa os municípios que buscam fazer melhor uso das tecnologias de informação e comunicação para aumentar a eficiência e a qualidade de vida em relação à segurança, saúde, recreação, serviços comunitários, assim como governo e cidadãos. Mas as Iniciativas relativas a cidades inteligentes frequentemente subestimam o papel dos cidadãos nesse processo.
Desse conceito inicial surge outro novo, o referente à construção das chamadas cidades MIL (UNESCO, 2018). Isto é a construção de cidades que utilizem as novas tecnologias, mas com a participação de novos stakeholders, como são os governantes e formuladores de políticas, influenciadores e jovens, utilizando a Inteligência Artificial, o Big data, a robótica e as novas tecnologias em geral, mas de forma ética, sustentável, crítica e criativa e tendo responsabilidade pelos impactos sociais que isso provoca (Tripple Botton Line, conceito analisado no início do artigo).
O conceito de Cidades MIL, supera e engloba os de Cidade Inteligente, dado que para ser verdadeiramente sustentável, as cidades inteligentes também devem ser cidades MIL. Isto implica educar, capacitar e empoderar aos moradores das cidades de todas as faixas etárias e classes sociais, assim como os diversos starkholders desde os mais tradicionais até os menos tradicionais para que estabeleçam redes de cooperação e façam um uso crítico, ético, verdadeiramente criativo e responsável das novas infraestruturas e tecnologias que oferecem as cidades contemporâneas. Isto implica também ensinar aos cidadãos e especialmente aos jovens, assim como as organizações públicas e privadas a ter um olhar crítico que lhes facilite ler e superar e/ou contornar de forma criativa, às barreiras culturais à comunicação que possuem ou enfrentam.
Fomentando as cidades MIL, pode ajudar-se as sociedades a pensar e agir usando as novas tecnologias de maneira mais crítica e reflexiva, e dessa forma colocar-nos no caminho para uma mudança ecológica positiva e sustentável, nesta era póshumana.
O conceito de Cidade MIL inclui a ação nos espaços físicos e digitais e inclui tanto aos atores tradicionais da educação formal (escolas, universidades, professores, alunos, familiares), mas também a marketers e jornalistas, instituições públicas e privadas, criando redes digitais e físicas de pesquisadores, ativistas, ecologistas, empresários, governantes, policemakers, comissões eleitorais, sistema de transporte, saúde pública, grupos artísticos e culturais, ONGs, associações de classe, bibliotecas, museus, projetos comunitários etc. Tudo no intuito de contribuir a educar e transformar a cidade e seus moradores num espaço tecnológico, interativo, mas também ético, sustentável e respeitoso das diversidades, através do empoderamento e engajamento de cada cidadão e as novas empresas e organizações, startups e instituições. Dessa forma a inovação social e o desenvolvimento de uma economia criativa e colaborativa aconteceriam por osmoses.
Dada a importância da discussão do assunto e com o objetivo de gerar conhecimento relevante sobre o tema, o Instituto Startups, iniciativa de “Think Tank” presidida por Vitor Magnani, anuncia a criação de um grupo de estudos e projetos dedicado ao tema Cidades MIL, que proverá informações sobre a adoção da tecnologia no ambiente público, mas com um olhar totalmente centrado para os impactos ambientais, sociais e econômicos, ou seja, o desenvolvimento sustentável. A iniciativa é fruto de uma parceria firmada com o Prof. Dr. Felipe Chibás Ortiz, do CEACOM da ECA USP, que liderará o núcleo de estudos e projetos.
Segundo Marcos Carvalho, Diretor Institucional e Novos Negócios do Instituto “A criação do grupo de estudos Cidades Mil reforça o propósito central que temos de prover conhecimento relevante para embasar a tomada de decisão da nova economia. É chegado o momento o qual as organizações possuem o compromisso com a sociedade de minimizar ao máximo o impacto negativo que gera em sua operação e deve retribuir positivamente aos stakeholders, buscando deixar um legado positivo para as próximas gerações. É uma exigência cada vez maior do consumidor a prática sustentável pelas empresas e, dessa forma, a escolha de produtos e serviços se dá por marcas que se identifiquem e reflitam estes anseios.”
Para saber mais sobre o Instituto Startups acesse: www.institutostartups.com.br
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Artigo produzido em colaboração por:
Por Prof. Dr. Felipe Chibás Ortiz – Coordenador do Thot-CRIARCOM do CEACOM da ECA-USP
Marcos Carvalho, Diretor Institucional e Novos Negócios do Instituto Startups e Vitor Magnani – Presidente da Associação Brasileira Online to Offline, Diretor da Câmara de Comércio Brasil-Ásia e Head of Public Affairs, Communication & Corporate Social Responsability do iFood.