Em toda história de uma startup de sucesso, um dos capítulos mais importantes é o do networking. Essa é uma atividade que deve ganhar importância muito cedo, para que o sucesso não tarde. Ela vai proporcionar ao empreendedor e às suas ideias e iniciativas um contato valioso com pessoas e empresas de setores e atuações diferentes, que ajudarão a enriquecer e orientar cada decisão no presente e no futuro. A pesquisadora Saras Sarasvathy, que estudou os pontos comuns em startups bem-sucedidas, conta que estar em boa companhia é um dos pilares para a criação de oportunidades no caminho do empreendedor. Ela garante que ninguém chega muito longe sozinho. Sua recomendação é buscar parceiros, ativar a rede de relacionamentos e juntar-se a pessoas com habilidades e conhecimentos complementares aos nossos – aquelas cujas competências nos faltam, e que nos ajudam a responder perguntas como
- Que tipos de parceiros devo ter?
- Qual o perfil ideal de um possível sócio?
- Quais são meus gaps e como supri-los?
Uma dessas pessoas poderá ser um mentor – alguém com experiência no mesmo segmento em que você está, ou no setor onde você deseja empreender. O mentoring será como uma espécie de tutoria, na qual um profissional mais experiente orienta e compartilha conhecimentos para auxiliar nas decisões. Hoje, a tecnologia ajuda muito a encontrar gente com essa competência e a ampliar nosso networking. No Brasil, cerca de 25 milhões de pessoas já possuem perfis no LinkedIn. Mas criar o networking é sempre muito mais do que apenas adicionar contatos na rede. É preciso marcar cafés, conversar e ouvir muito. E sempre falar com pessoas dos mais diferentes tipos e setores. Um desses contatos pode fazer toda a diferença em algum estágio do negócio. Na fase da busca dos investidores, por exemplo. A ideia é plantar hoje para colher no futuro.
Ivan Misner, fundador e presidente da BNI (Business Network International), diz que networking é “o processo de desenvolvimento e ativação de seus relacionamentos para auxiliar o crescimento de seus negócios, aumentar seus conhecimentos e expandir suas influências”. Com base nisso, ele estabeleceu os dez mandamentos do networking eficaz:
- Tenha sempre com você as ferramentas apropriadas para o networking, incluindo cartões de visita e o conhecimento sobre quem pretende encontrar;
- Estabeleça uma meta de quantas pessoas pretende encontrar por período;
- Aja sempre como anfitrião, nunca como convidado;
- Escute e faça perguntas: em bom networking, é importante fazer as duas coisas;
- Não tente fechar negócio: nem todo encontro é uma possibilidade de vender;
- Faça indicações, recomendações: as pessoas de melhor networking acreditam na filosofia de bio de informações;
- Troque cartões nos encontros;
- Gerencie o tempo: tenha cuidado em não permanecer tempo demais com apenas uma pessoa;
- Faça anotações de detalhes atrás dos cartões de visita das pessoas;
- Dê continuidade aos contatos: se não, só terá perdido tempo.
David Velez, CEO e fundador do Nubank, conta que sabia que precisaria de sócios para ajudá-lo no desenvolvimento da empresa quando decidiu abri-la. Para isso, pediu indicações aos amigos, colegas e conhecidos, além de acionar toda a sua rede para procurar profissionais. “O networking é fundamental para buscar pessoas que acreditem na sua ideia”, afirma Telma Mantovani, diretora de transição de carreira da Stato, consultoria de recursos humanos. Ela aponta três estratégias para ampliar e manter uma rede de contatos efetiva:
- Preste atenção na forma de se aproximar
A aproximação nunca deve ser a mesma, porque o networking abrange três tipos de relacionamento:
– De primeiro nível (pessoas realmente próximas) – a abordagem pode ser informal, valendo mesagem telefone e até happy hour
– De segundo nível (profissionais não muito próximos) – abordagem mais formal, pode ser um e-mail convidando para um café ou almoço
– De terceiro nível (pessoas que não se conhece) – melhor verificar se há algum contato que possa fazer a apresentação. Caso contrário, um e-Mail educado e sucinto resolverá.
- Cuidado com o ego
Aposte em uma abordagem mostrando que seu objetivo é compartilhar, não competir. Uma boa maneira de fazer isso é explicando de que maneira o profissional pode te ajudar.
3. Networking não é só falar de negócios
Sim, você pode falar sobre amenidades, mercado de trabalho, estresses do dia a dia, cursos e treinamentos. Negócios podem surgir também de uma conversa agradável.
*Vitor Magnani é presidente da Associação Brasileira Online to Offline (ABO2O) e do Conselho de Comércio Eletrônico da FecomercioSP, além de professor da Fundação Instituto de Administração (FIA) e Head of Public Affairs da Loggi